Tive a grata satisfação de assistir, em São Paulo, à exposição do painéis Guerra e Paz, obra máxima de Candido Portinari, concebidos e elaborados para adornar a sede da ONU nos EUA. Na galeria da exposição pude notar os diversos estudos prévios (ou protótipos) que nortearam a elaboração da obra final. São “rascunhos”, verdadeiras obras de arte que utilizaram milhares de horas de trabalho do mestre e de sua equipe.
Na mesma área estão também os documentos que registraram as articulações institucionais que foram necessárias para a realização da transação. Pode-se dizer que também são obras de arte. Nota-se o cuidado diplomático na elaboração das frases de cada documento, cuidado decorrente da consciência da grandeza do projeto. Isso sem falar da rede mundial de conexões que, comunicando-se por cartas manuscritas ou datilografadas, colaborou em diversas etapas do projeto, nem que fosse “somente” para transmitir boas energias ao mestre.
No grande final da exposição estavam eles, os painéis, deixando o público atônito perante os desdobramentos da guerra e da paz.
Fiquei então tentando extrair aprendizados de tudo aquilo para os dias atuais. Como seria a execução de uma obra tão grandiosa com a linguagem tecnológica e imediatismo de hoje? Será que o processo seria acelerado? Será que o resultado final seria tão impactante? Será que as tintas intoxicariam o mestre?
Bom, com certeza seria muito diferente, o que não quer dizer mais eficaz (isso é para pensar).
Meus aprendizados então foram os seguintes: que foco e disciplina intensa são ingredientes presentes em obras grandiosas para as quais tempo é fundamental; que a inovação ocorre com a realização de estudos prévios (os protótipos) que diminuem os riscos da incerteza e produzem conhecimento e, por fim, observando os painéis prontos, que a atmosfera criativa é muito mais rica em tempos de paz, embora na guerra ela signifique sobrevivência.
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Abraços















